Cigarro Eletrônico, o novo desafio para a saúde pública mundial?

Dra. Ana Milly Leite Teixeira – Cirurgiã Dentista; Especialista em Sáude Pública ENSP/FIOCRUZ ( Sanitarista )

O tabagismo constitui um dos maiores desafios para a saúde pública mundial e várias medidas que visam o controle desta epidemia tem sido adotadas.  A Organização Mundial de Saúde estima que o fumo esteja associado a mais de 5 milhões de mortes todos os anos e a mais de 600 mil mortes de fumantes passivos que são aqueles que adoecem por conviver com fumantes. Considerando que está havendo uma acentuada redução na prevalência de fumantes em países onde há políticas para o controle do tabaco, e no Brasil essas medidas estão bastante avançadas, não são raras as oportunidades para o lançamento de produtos que seduzam os fumantes que querem parar de fumar ou reduzir o contato com substâncias tóxicas presentes nos derivados do tabaco.

Entre esses novos produtos da indústria em resposta as medidas de controle e comercialização do tabaco podemos destacar os dispositivos conhecidos como eletronic ciagretts, e-cig ou cigarros eletrônicos, também denominados ENDS (eletronic delivery systems) ou  DEF dispositivos eletrônicos para fumar.

A venda destes dispositivos aumentou rapidamente nos últimos anos em todo o mundo. No Brasil, a ANVISA através da RDC n°46 proibiu o comércio, a importação e a propaganda dos cigarros eletrônicos, mas facilmente podemos adquiri-los através da internet, viagens internacionais e em áreas de comércios populares.

A discussão sobre esse novo produto tornou-se frequente, visto que os cigarros eletrônicos prometem ser um mecanismo de reposição de nicotina, atuar no tratamento do tabagismo, minimizar os problemas decorrentes do uso e exposição prolongada aos fatores tóxicos do tabaco, diminuindo o risco do cigarro convencional. Em contra partida, também podem ser a porta de entrada para o início do tabagismo, representar um instrumento para a recaída, como também, uma maneira de burlar as leis vigentes anti-fumo. Além de ser um produto fascinante para os jovens.

Os usuários de cigarro eletrônico (vapers) acreditam que este é uma forma inofensiva de fumo, já que não há a produção de fumaça derivada da combustão do tabaco (que produz cerca de 7000 substâncias tóxicas) como no cigarro convencional, mas a geração de um vapor a partir do aquecimento de uma solução chamada e-liquid que contém diversas substâncias químicas entre sabores, aromatizantes e nicotina em doses variadas de acordo com a marca e o fabricante. Como não existe uma legislação específica para a fabricação dos e-liquids, não há padronização dos conteúdos nem controle de qualidade.

A intenção do marketing é reglamourizar o tabagismo, onde os e-cigs são considerados como uma maneira moderna de fumar, assim como foi feito com cigarros tradicionais na década de 60. Os resultados acerca dos estudos científicos sobre os cigarros eletrônicos são inconclusivos na tentativa de comprovar a sua eficácia e segurança no tratamento do tabagismo e tem sido utilizado por muitos jovens para consumo com outros adictos como a pasta de maconha. Sim, possuem toxicidade menor do que os cigarros tradicionais, mas não sabemos quais seus efeitos à saúde por uso prolongado do dispositivo e nem sobre a frequência de uso. Vale a pena sempre lembrar! A melhor forma de não sofrer com os riscos do tabagismo é não fumar. Fiquem atentos!

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